Isabela e o Mini Game

Sempre jogavam dominó naquelas mesas, mas um mini game e uma garota bonita e bem vestida eram não apareciam sempre no bar de seu João. Após anos esquecido no quarto, encontrei o game e o levei para o hospital, meu pai se recuperava de uma intoxicação. Sem avisar, Isabela apareceu. Apresentei a mina à família: papai, uma tia e um primo. Conversamos, papai estava bem, receberia alta no dia seguinte. Logo tivemos que sair, nove horas, visitas deveriam se retirar. Que tal uma cerveja num boteco? convidei sem pensar que ela fosse aceitar. Mas, a alta de meu pai era razão para comemorar, ela aceitou.
Dois quilômetros a norte e oeste, balcão, mesas e piso de chão batido, o bar de seu João conservava as características de um bar dos anos 1970. Além disso, estava no alto de uma ladeira, no ponto mais elevado da região central de Aracaju. Fábrica de cimento, penitenciária, igreja de São Judas Tadeu, a área externa, a calçada do bar era um mirante para os pontos de referência do lado oeste da cidade.
Avistávamos abaixo as instalações da Escola Técnica Federal, parecia que alcançaríamos os prédios se estendêssemos os braços. Logo que sentamos, antes de a cerveja chegar à mesa, mostrei-lhe o game. Nascida em 1972, Isabela mal passava dos 10 anos quando o Game & Watch, o primeiro game portátil da Nintendo, foi objeto de desejo dos garotos na escola. “Sempre havia um mini game circulando na sala. Não comprei, não pedi a meu pai, ganhei de um colega, quando o pai dele foi nomeado para um tribunal superior e a família mudou-se para Brasília. Joguei seis meses e guardei. Não esperava, mas ainda funciona.” Isabela examinou o game com a proficiência de uma garota que jogou Atari na adolescência e a curiosidade de quem estuda informática na universidade.

Jogamos, o game trocou de mãos seis, oito vezes em 30 minutos. Fregueses ouviam os bips e nos olhavam sem entender. “Primitivo, mas bem concebido, gostei.” “Primitivo, obsoleto, mas vingou, gerou o Game Boy.” Paramos de jogar para beber. Dez horas, conto até 100 e ouvimos O Milionário, o hit de Os Incríveis que serve como prefixo de um programa de uma AM e o vizinho da casa em frente escuta todas as noites. Paralelo 10 S, a cidade é quente, mas neste ponto elevado o vento circula e alivia.
Saímos para a calçada, encostamos na parede, ao lado de um telefone público, e, mãos em volta da menina, abraçamos. Foram três sessões de amassos interrompidas para respirar e para voltar à mesa e não dar tanto na vista de seu João, dos fregueses ou de alguém que passasse na rua. A hora avançou e todos saíram do salão, não cabia insistir com Seu João que nos servisse mais uma. Quando me levava para casa, na rua ao lado do Centro de Criatividade, Isabela avistou num telhado gatos no cio. Parou o carro, observamos. Mina do céu!, pensei, esquadrinhando a garota.
Escritor Tárcisio de Andrade Santos









