Eleito com a maior votação já registrada na história da Reitoria do Instituto Federal de Sergipe (IFS), o professor doutor José Osman dos Santos assumirá o comando da instituição em outubro, para o mandato 2026-2030, com a proposta de fortalecer a inclusão, ampliar a presença no interior e modernizar a gestão. Ele obteve 49,80% dos votos no modelo ponderado, o equivalente a 64,24% dos votos válidos.
Com trajetória construída dentro da própria instituição, José Osman iniciou sua relação com o IFS ainda como estudante, em 1990, na antiga Escola Técnica Federal de Sergipe. “Conciliei os estudos com o trabalho como torneiro na pequena marcenaria do meu pai”, relembra. Filho de um marceneiro e de uma dona de casa, ambos oriundos do interior do estado, ele cresceu no bairro Santos Dumont, em Aracaju, experiência que, segundo afirma, moldou sua visão de educação. “Essa vivência reforçou meu compromisso com uma educação pública inclusiva e voltada à classe trabalhadora”, destaca.
Após a formação técnica, serviu ao Exército e atuou na Prefeitura de Aracaju antes de seguir a carreira acadêmica. É licenciado e mestre em Física pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e doutor em Tecnologia Nuclear pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio na Alemanha e pós-doutorado pelo IPEN/CNEN. Em 2024, ampliou a formação ao concluir graduação em Ciência de Dados.
De volta ao IFS como docente em 2007, acumulou experiência na gestão institucional, incluindo dois mandatos como diretor-geral do campus Lagarto e atuação como pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão. A experiência, segundo ele, foi determinante para a visão de gestão. “Essa trajetória me deu uma visão sistêmica e madura da nossa instituição. No chão da escola e na direção-geral do campus Lagarto, vivenciei diretamente os desafios enfrentados na ponta, como a necessidade de apoiar os estudantes na permanência e no êxito e as demandas por infraestrutura”, afirma. Ele destaca avanços durante sua gestão, como a ampliação do quadro de servidores e da oferta de vagas. “O IFS hoje precisa exatamente desse equilíbrio: uma gestão que conheça a realidade de cada campus, mas que saiba agir estrategicamente como uma rede integrada, unindo experiência administrativa à sensibilidade pedagógica e humana”, completa.
Entre as principais propostas da nova gestão está a descentralização administrativa. A ideia, segundo o reitor eleito, é fortalecer a autonomia das unidades. “Vamos efetivar a Reitoria como uma instância de assessoria, supervisão e indução de excelência, e não como uma estrutura centralizadora”, explica. Ele também defende que a distribuição de recursos considere as especificidades regionais. “As necessidades finalísticas de quem está no interior devem definir as prioridades orçamentárias da gestão, respeitando as vocações territoriais de cada unidade”, afirma.
Diante das restrições orçamentárias, José Osman aposta em inovação e diversificação de fontes de financiamento. “Enfrentaremos as restrições orçamentárias atuando em duas frentes fundamentais: inovação e eficiência na gestão pública”, diz. Entre as estratégias estão o uso de tecnologia e análise de dados para otimizar gastos, além da captação de recursos por meio de parcerias com o setor produtivo, emendas parlamentares e projetos junto a agências de fomento nacionais e internacionais. “Vamos garantir que nossas atividades finalísticas não percam o padrão de excelência”, pontua.
A inclusão social e o combate a desigualdades também aparecem como prioridades. O reitor eleito defende o fortalecimento de núcleos institucionais e políticas de diversidade. “A inclusão e a valorização da diversidade serão transversais em nossa gestão e nos projetos de cursos”, afirma. Ele também promete medidas mais rigorosas no enfrentamento ao assédio. “Transformaremos a qualidade de vida no trabalho em uma política sistêmica e rigorosa, com canais seguros de acolhimento e apuração célere”, acrescenta.
Para enfrentar a evasão escolar, sobretudo entre estudantes mais vulneráveis, a gestão pretende ampliar programas de permanência. “Nossa prioridade absoluta será garantir a permanência e o êxito estudantil”, diz. Entre as ações previstas estão reforço pedagógico, apoio psicossocial e expansão da infraestrutura. “Assumimos o compromisso de viabilizar o pleno funcionamento dos restaurantes estudantis em todos os campi, garantindo a segurança alimentar para que os estudantes consigam concluir seus estudos com dignidade”, enfatiza.
A expansão do instituto, com novos campi previstos em regiões como Japaratuba e a zona de expansão de Aracaju, será conduzida com planejamento de longo prazo, segundo ele. “Faremos uma expansão responsável, assegurando que o aporte de capital para obras seja planejado em fases sustentáveis, sem descontinuar o suporte às unidades que já funcionam”, afirma. A definição de cursos deve levar em conta as vocações locais. “O IFS só cumpre sua missão se respeitar os arranjos produtivos locais e as demandas dos territórios”, destaca.
A participação da comunidade também é apontada como eixo central da gestão. “Ouvir a população é a base da nossa gestão democrático-participativa. O desenho dos projetos não será uma imposição de gabinete, mas resultado de diálogo aberto com a sociedade”, afirma, citando a realização de audiências públicas e consultas para definição de cursos e projetos.
Outro foco será a inserção de novas tecnologias na gestão e no ensino. “A inteligência artificial será uma pauta prioritária”, diz. Segundo ele, a proposta é utilizar ferramentas digitais e dados para melhorar políticas institucionais e combater a evasão. “Vamos preparar o instituto para os novos cenários produtivos, qualificando nossos alunos para esse novo mundo do trabalho”, acrescenta.
Ao projetar o legado da gestão, José Osman afirma que pretende consolidar um modelo de instituição mais eficiente e inclusivo. “Quero entregar um IFS estruturalmente robusto, administrativamente eficiente e, acima de tudo, profundamente humano, com uma gestão apoiada no diálogo e na participação ampla da comunidade”, afirma. “Espero que, em 2030, a instituição seja reconhecida como um pilar de inclusão social, soberania científica e desenvolvimento econômico para Sergipe”, conclui.









