Dermatologista faz alerta sobre uso do fenol após liberação pelo CFM

Utilizado há décadas na Dermatologia, o fenol é uma substância química empregada em procedimentos de ação profunda com a finalidade de promover intensa renovação da pele e rejuvenescimento facial. Sua aplicação mais conhecida ocorre por meio do peeling de fenol, técnica indicada principalmente para o tratamento de rugas acentuadas, sinais avançados do envelhecimento e alterações significativas na textura da pele.

Apesar de ser reconhecido pelos benefícios obtidos em situações específicas, o procedimento voltou ao centro das discussões após a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) de permitir sua utilização por médicos, mesmo diante da restrição estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O debate ganhou repercussão nacional após a morte do empresário Henrique Chagas, em junho de 2024, na cidade de São Paulo. Ele foi submetido a um peeling de fenol realizado por uma pessoa sem formação médica adequada e apresentou complicações que levaram ao óbito. O episódio reacendeu discussões sobre fiscalização, qualificação profissional e segurança em procedimentos estéticos invasivos. Com a recente decisão do CFM, o assunto volta a mobilizar especialistas, pacientes e órgãos reguladores.

Indicações

A dermatologista e professora da Universidade Tiradentes (Unit), Thamara Morita, explica que o peeling de fenol é indicado apenas em situações específicas e requer uma análise individual de cada paciente. “O fenol é uma substância que pode ser absorvida pelo organismo durante o procedimento. Por isso, além dos riscos cutâneos, como infecções, alterações de pigmentação, cicatrizes e dificuldade de cicatrização, existem riscos sistêmicos importantes, especialmente relacionados ao coração, fígado e rins.”

Por essa razão, a especialista ressalta que a realização da técnica exige uma estrutura apropriada e monitoramento contínuo. “É justamente essa possibilidade de repercussão sistêmica que torna indispensável a realização do procedimento em ambiente adequado, com monitorização e equipe preparada para lidar com eventuais intercorrências”, acrescenta.

Segundo a médica, a principal característica que diferencia o fenol de outras técnicas é a profundidade com que atua na pele. Isso possibilita resultados mais evidentes, mas também exige cuidados mais rigorosos em todas as etapas do tratamento. “A principal diferença está na profundidade da ação. O fenol promove uma renovação muito intensa da pele, atingindo camadas profundas e proporcionando resultados expressivos em determinados casos. Entretanto, essa profundidade também está associada a um tempo de recuperação mais longo e a um perfil de risco mais elevado quando comparado a tratamentos modernos”, destaca.

Riscos envolvidos

A especialista reforça ainda que a participação de um médico habilitado, embora indispensável, não é suficiente, por si só, para garantir total segurança ao paciente. “A segurança depende também da experiência do profissional, da seleção adequada do paciente, da infraestrutura do local, da monitorização durante o procedimento e do acompanhamento pós-operatório. Procedimentos complexos exigem planejamento cuidadoso e protocolos rigorosos de segurança”, pontua.

Antes de indicar o peeling de fenol, é necessário avaliar diversos fatores, entre eles o histórico de saúde do paciente, doenças pré-existentes, uso de medicamentos, capacidade de cicatrização, fototipo de pele e expectativas em relação aos resultados. Em determinadas situações, exames complementares também podem ser solicitados.

Além disso, há casos em que o procedimento não é recomendado. “Pacientes com doenças cardíacas, hepáticas ou renais importantes geralmente não são candidatos ideais. Também é preciso cautela em pessoas com histórico de cicatrização inadequada, tendência à formação de queloides, determinadas doenças dermatológicas e algumas condições que possam aumentar o risco de complicações”, observa.

Novas opções

Nos últimos anos, a Dermatologia passou por avanços significativos, ampliando as alternativas disponíveis para o rejuvenescimento da pele. De acordo com Thamara Morita, atualmente existem diversas tecnologias capazes de oferecer bons resultados com menor risco e recuperação mais confortável. “Lasers fracionados, bioestimuladores de colágeno, tecnologias de radiofrequência, ultrassom microfocado, peelings médios e protocolos combinados permitem tratar flacidez, rugas, manchas e qualidade da pele de forma mais personalizada”, afirma.

Ainda assim, a dermatologista destaca que o fenol continua tendo espaço em situações específicas. “A evolução da Dermatologia ampliou significativamente as opções terapêuticas disponíveis. Hoje conseguimos oferecer tratamentos cada vez mais personalizados, combinando tecnologias e procedimentos que frequentemente alcançam excelentes resultados com perfis de segurança mais favoráveis”, avalia.

Para quem considera realizar o procedimento, a orientação é observar cuidadosamente a qualificação do profissional responsável e a estrutura oferecida pela clínica. “O paciente deve verificar se o procedimento será realizado por um médico habilitado, se existe uma avaliação prévia detalhada, se o local possui estrutura adequada para monitorização e atendimento de emergências e se todas as orientações sobre riscos, recuperação e cuidados pós-procedimento são fornecidas de forma transparente. Segurança nunca deve ser tratada como um detalhe secundário. Ela faz parte do próprio tratamento”, conclui.

Na avaliação da especialista, a repercussão dos casos envolvendo complicações relacionadas ao fenol contribuiu para ampliar a conscientização da população sobre a importância de critérios rigorosos na realização de procedimentos estéticos de maior complexidade, tema que volta a ganhar destaque após a decisão do CFM.

Fonte: Asscom Unit

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