Segundo pesquisas de Elias Boaainain Junior. “Vivemos um momento de extraordinária crise em nossa civilização; crise singular e sem precedentes, dado suas proporções. Pela primeira vez, não apenas, grupos, culturas, etnias e mesmo civilizações encontram-se ameaçados, mas está em risco a sobrevivência da espécie humana e a própria existência planetária. As perspectivas são sinistras em um momento no qual os valores, os padrões e os princípios que norteiam e possibilitaram o extraordinário desenvolvimento da moderna cultura ocidental falham e se esgotam como recursos para solucionar os problemas que esse desenvolvimento mesmo causou”.
MUDANÇAS DE HÁBITOS FAMILIARES
Foi a partir do texto acima que parei para refletir nas mudanças bruscas sofridas pela humanidade que atinge a maioria das famílias do nosso planeta. Atualmente a rotina da vida diária tornou-se cada vez mais rápida e agitada. As famílias diante do quadro sócio econômico, em que vivemos, são obrigadas a trabalhar mais, produzir mais, e, quase não sobra tempo para mais nada, a cada momento estamos cada vez mais parecidos com um robô (levanta, trabalha, come, dorme, levanta e vai trabalhar). Tudo isso nos traz angustia, depressão, sentimos medo do amanhã. Porém existem de lampejos quando paramos por frações de minutos e percebemos que tudo que existem em nosso entorno mudou principalmente em nossa família. A falta de tempo para brincar, dialogar e se divertir com a família, principalmente, com nossos filhos que mal vemos no dia a dia. E, quando nos damos conta, percebemos que o tempo passou, nossos filhos, já não são mais crianças e sim adolescentes ou jovens e que dentro do lar mais parecem indivíduos estranhos; não falam; não conversam, entram em saem de casa sem dizer nada, como se a casa estivesse vazia. Muitos pais, chegam até comentar: “Não conheço mais meus filhos!”. Neste momento que você parou por alguns minutos pode perceber que ocorreu em seu lar muitas mudanças, conseguiu perceber seu filho, mas não percebe a realidade que ele está vivendo e na qual está inserido. Minha intenção é chamar atenção dos leitores para aquilo que muitas vezes fica escondido no recôndito dos corações e mentes, dessas crianças, por exemplo o chamado “GROOMING”, assédio por parte de adultos mal intencionados através da INTERNET, que desejam contato sexual com crianças e adolescentes, e ainda, o “CHOKING GAME’, jogo de asfixia e automutilação. Esses casos na maioria das vezes ocorrem dentro de sua casa, em quartos devidamente trancados, onde se encontra se filho ou filha e um computador; tablet, ou celular e, claro, o aliciador cuja mente criminosa é difícil de ser rastreada, por isso esses crimes ficam geralmente impunes. É preciso que pais e filhos fiquem mais próximos diariamente, para que haja confiança mútua e não exista por parte do adolescente a necessidade do contato com estranhos e com mentes criminosas.
COMO SE COMPORTA UM ADOLESCENTE?
A adolescência é um período de maturação é a fase de transição entre a criança e o jovem. É nessa fase que as crianças sofrem influencias sociais, culturais e ambientais como a exposição a diferentes situações de vulnerabilidade e comportamentos autodestrutivos. A adolescência atual é marcada por “solidão afetiva” com a ausência dos pais que em seu lugar introduzem “cuidadores pagos”, associados a computadores, vídeo games, celulares etc… Desta forma os pais deixam de ser referência para essas crianças. Os segmentos já citados passam a exercer forte influência na formação do caráter e do novo modo de vida. Depois do advento da comunicação em massa esses equipamentos expandem-se cada vez mais e não se esqueçam, trata-se de uma terra sem lei. Á partir daí a referência da criança deixa de ser a família, que é trocada por personalidades impessoais ou grupos sociais mal intencionados, nos quais querem se engajar, pois encontram neles respaldo; interação; filiação e conexão. Sentimentos esses importantes para identificação social necessária na visão do adolescente
QUE FATORES LEVAM O ADOLESCENTES A PARTICIPAREM DESSES GRUPOS?
Bem! São várias as razões, vamos elencar algumas: rejeição, conflitos familiares, bullying, puro prazer, inconformismo com seu próprio corpo físico, chegando a detestá-lo. Exemplos:
A OBESIDADE
A obesidade leva os adolescentes aos transtornos alimentares, anorexia e bulimia, um sacrifício imposto, a si mesmo, para evitar comida e buscar os valores e padrões de corpo físico imposto pela sociedade. A consequência é a pior possível.
Um outro exemplo é a automutilação, esse comportamento é identificado através de vários cortes e queimaduras na pele e o grande interesse por informações de objetos que proporcionam um corte mais profundo, como giletes, tesouras, lâmina de apontador etc…
COMO ESSE GRUPOS SÃO ORGANIZADOS?
Funcionam como estruturas de grupo on-line, com objetivos e motivações para a pratica da automutilação que evidenciam o contexto desta pratica entre os demais participantes, existe uma comunicação em redes onde “postam” suas atitudes são de alto risco, porém acolhedoras e de grande compreensão de todos os membros para o engajamento do novo membro.
COMO SÃO OS APELOS PARA O ALICIAMENTO DE UM NOVO MEMBRO?
Ao noviço que está fazendo os primeiros cortes e demonstrando os que já fizeram, o grupo exalta e incentiva a atitude: “Você já é forte por aguentar 3 meses de automutilação.” “Continue assim!”, não desista!”, Estamos torcendo por você!!!”. Esta estratégia, tem o nome de” GROOMING”, os principais motivadores são adultos, cujo objetivo é espalhar o desespero, a crueldade, o assédio sexual, ou estimular jogos e desafios de vida ou morte entre as crianças e adolescentes. As investigações policiais sobre o problema, na maioria das vezes por falta de provas, são arquivadas, e os processos encerram o caso como: acidentes domésticos ou suicídio
COMO AGEM OS ALICIADORES?
Em primeiro lugar ele sabem que os adolescentes tem necessidade de serem ouvidos e valorizados e que não suportam que os pais decidam por eles, antes que sejam ouvidos primeiro. Entre as atitudes mais comuns de um aliciador estão:
– Fazer com que a criança em contato com ele se sinta especial, elogiando-a, o tempo todo, e parecer gostar de tudo que a criança gosta;
– Dizer que ama você e que nunca conheceu ninguém igual, embora o tenha conhecido a pouco tempo;
– Pedir fotos e vídeos da criança;
– Perguntar se você está sozinho antes de começar a falar e pedir para você guardar segredo sobre ele;
– Oferecer presentes e favores.
O QUE DEVO FAZER COMO PAI OU MÃE?
– Primeiro aproxime mais de seu filho, dialogue sempre com ele, ganhe sua confiança, caso isso não seja o suficiente, observe a cada dia, a mudança de comportamento do mesmo, por exemplo quando fica defensiva, quando questionado pelas suas atividades on-line.
Dependendo de sua observação mude algumas coisas, como por exemplo, retire o computador do quarto dele e coloque-o em uma área comum da casa, onde seja, fácil de supervisionar. Caso identifique algo estranho ou suspeito, denuncie para o site ou dispositivo “SaferNet” e para a polícia. Ensine seu filho a dar “PRINT” em mensagens inadequadas para que elas passem a ser utilizadas como provas (evidências) em eventuais denúncias. Porém o principal de tudo isso é amar seu filho, ajude-o em seus problemas através de um, diálogo calmo e não ríspido. Importante que seja um diálogo e não um monólogo, no qual só você fala, porque é adulto e sabe das coisas. Será que sabe mesmo?
ADVERTÊNCIA
Paulo de Tarso, em sua carta aos Filipenses, já advertia: “Guardai-vos dos cães não adestrados”, que nos assediam pela perversidade, pela selvageria, pela impulsividade e ferocidade. Na humanidade, encontramos sempre criaturas que os personificam. São os adversários sistemáticos do bem, que excitam a crueldade. Sentem prazer com a imposição tirânica que lhes é própria. Gritam, levianos, que a sombra venceu, que a miséria consolidou o seu domínio na Terra. E, quando vírus do ódio ou da cólera lhes excita a desesperação; ai daqueles que se aproximam, generosos, ingênuos e confiantes. Para estes criminosos só resta um processo de adestramento, no qual podemos cooperar com amor, competindo-nos reconhecer, contudo que esse recurso de domesticação procede originariamente de Deus.
PROFESSOR MARCOS A. MORAES.









