
Você já ouviu falar em Ecofashion? Também conhecida como moda sustentável, essa tendência vai muito além do estilo: é um movimento que une consciência ambiental, responsabilidade social e criatividade. A proposta é repensar a forma como produzimos e consumimos roupas, priorizando práticas que respeitam o meio ambiente e as pessoas envolvidas em toda a cadeia produtiva — da escolha da matéria-prima até o descarte das peças.
Enquanto o fast fashion (ou “moda rápida”) incentiva o consumo desenfreado, com coleções novas a cada semana e toneladas de resíduos têxteis descartados todos os anos, o ecofashion propõe uma desaceleração. A ideia é comprar menos, escolher melhor e fazer durar mais.
Essa nova forma de pensar a moda se apoia em pilares como:
- Slow fashion (moda lenta): valoriza a produção artesanal, o tempo de criação e o respeito ao trabalhador.
- Reaproveitamento e upcycling: transforma tecidos e peças antigas em novas criações, reduzindo o desperdício.
- Materiais de baixo impacto: tecidos biodegradáveis, fibras naturais e recicladas.
- Produção ética: respeito às condições de trabalho e comércio justo.
- Consumo consciente: incentivar o público a refletir antes de comprar.

Matérias-primas que fazem a diferença
A escolha dos materiais é um dos pontos mais importantes na moda sustentável. Cada fibra carrega um impacto ambiental diferente. O algodão orgânico, por exemplo, dispensa agrotóxicos e consome menos água que o algodão convencional. Outras opções em alta são o cânhamo, o linho, o Tencel (feito de polpa de madeira de reflorestamento), o couro vegetal e as fibras recicladas. Esses materiais aliam conforto, durabilidade e respeito à natureza.
Marcas brasileiras que inspiram
O Brasil vem se destacando como um polo criativo da moda sustentável, com marcas que unem design autoral, inovação e consciência ambiental:
- Uhnika: utiliza tecidos naturais e biodegradáveis, além de rastrear toda sua cadeia de fornecedores e reciclar resíduos têxteis.
- Pantys: pioneira nas calcinhas absorventes reutilizáveis, reduz o uso de plásticos e incentiva o consumo consciente no ciclo menstrual.
- Insecta Shoes: produz calçados veganos a partir de roupas de brechó, garrafas PET e borracha reciclada.
- Flavia Aranha: referência em tingimentos naturais feitos com cascas, folhas e raízes, com peças atemporais em fibras naturais.
- Osklen: uma das primeiras marcas brasileiras a incorporar práticas sustentáveis no streetwear, unindo sofisticação e responsabilidade ambiental.
- Vert (Veja): produz tênis ecológicos com algodão orgânico, borracha nativa da Amazônia e couro com curtimento menos poluente.
- Relevo: transforma guarda-chuvas descartados em jaquetas e acessórios únicos por meio do upcycling.
- Tucum Brasil: valoriza a arte indígena e promove o comércio justo, fortalecendo comunidades e saberes ancestrais.
Moda com propósito
Adotar a ecofashion não significa abrir mão do estilo — é, na verdade, vestir uma causa. Cada escolha conta: optar por peças de qualidade, apoiar marcas locais e cuidar bem do que já temos são gestos poderosos que ajudam a transformar o mercado e o planeta.
Com a COP30 se aproximando e o olhar do mundo voltado para a Amazônia e o Brasil, a moda sustentável ganha ainda mais relevância. É hora de mostrarmos que é possível unir beleza, inovação e respeito à natureza — e que o futuro da moda pode (e deve) ser mais verde.
Moni Praddo é jornalista, colunista, curadora de arte, comunicadora e escritora apaixonada por palavras e encontros. Cronista e palestrante, também atua como terapeuta cognitivo-comportamental e musicoterapeuta formada pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Pós-graduanda em comunicação e semiótica pela Universidade Iguaçu (UNIG). Entre viagens, livros, pesquisas e eventos, sempre com um bloquinho na mão, busca compreender o mundo e, acreditando que a vida pulsa de forma coletiva. Ativista literária e ambiental, defende a escrita como ferramenta de transformação social e como ponte para tocar a alma das pessoas.









