A Região Nordeste poderia ser a mais rica e desenvolvida, do Brasil. Vamos ver alguns trechos de nossa história para confirmar esse título.
BRASIL COLÔNIA
Desde o momento em que o rei de Portugal, D. Manuel , demonstrou interesse pelo Brasil, ele elevou nosso “status”, de simples “entreposto comercial” para a posição de “colônia” e para ocupa-la cedeu aos nobres e fidalgos da corte as “Sesmarias” (grandes latifúndios de terras com mais de 10 mil hectares para cada sesmeiro), principalmente na “Zona da Mata Nordestina” onde as condições naturais eram favoráveis para o cultivo da cana e produção do açúcar, além disso financiou a todos os proprietários todo o aparato e mão de obra escrava, para a grande empreitada. Todo lucro desta atividade, que envolvia, agricultura, manufatura e comércio, era remetido para metrópole, muito pouco ficava no Brasil, apenas o suficiente para manter as fazendas produtivas, comprar escravos e construir a 1ª capital do Brasil em Salvador (BA). Tudo isso durou até o século XVII, quando o nordeste não resistiu a concorrência das Antilhas e mergulhou em franca decadência. Foi nesse momento que ocorreu a 1ª migração de nordestinos para o Sudeste para trabalharem nas minas de ouro de MG e na cafeicultura em terras paulistas. De lá para cá, o Nordeste tornou-se uma região esquecida e o foco prioritário passou a ser o Sudeste.
BRASIL IMPÉRIO
Desde o inicio desse período até 1.906 apesar de sempre ter mantido uma certa importância política, a descontinuidade administrativa e a ausência de um projeto de recuperação nacional, deixaram o NE, em plano econômico secundário . Por exemplo , em 1.877 a desatenção inicial do governo diante, das notícias, da nova falta de água, não foi acidental, já que nada tinha preventivamente em termos de obras contra a seca.
A GRANDE ESTIAGEM DE 1877
Uma das piores secas do sertão, considerada “calamidade pública”, conhecida pelos nordestinos como “a seca dos três setes”, a de 1877 – 1879, que representou um “combo” de sofrimento e flagelação : falta de água, fome, epidemias como: tifo, cólera e varíola, que provocou a morte de meio milhão de sertanejos. O máximo da ousadia governamental foi a formação de uma comissão em 1.878, que sugeriu a construção de30 açudes, com 1 milhão de metros cúbicos cada um, e construção de algumas ferrovias . Essa grande seca levou o NE ao desaparecimento do cenário econômico nacional, transformando a área em “região problema”. Fato este divulgado até pela imprensa internacional . No Brasil o jornalista , José do Patrocínio, do jornal “Gazeta” foi motivado a conferir o desastre in loco, viajou para as províncias atingidas pela catástrofe e logo depois do que viu e sentiu escreveu vários artigos denunciando, casos de corrupção e omissão das autoridades. Em seu contato com os sertanejos, em 1.879 escreveu o livro “Os Retirantes” , apesar da repercussão do mesmo, a ajuda emergencial enviada pelo governo chegou tarde demais e em quantidade insuficiente, forçando milhares de cearense migrarem para a Amazônia para trabalharem nos seringais que eram administrados pelos britânicos (ciclo da borracha).
BRASIL REPÚBLICA
Nada mudou nessa época em relação ao poder público e as necessidades urgentes e prementes do NE . Uma postura adotada por Campos Sales (presidente) foi considerar mais vantajoso economicamente pagar a migração de nordestinos para outras regiões, do que promover programas da transformação da região de seca para produtiva. Isso demonstra de que o problema da seca poderia ser resolvido com investimentos em obras. Em 1906 a reincidência do fenômeno acabou provocando a criação da “Superintendência de Obras Contra a Seca” e os efeitos da mesma. Três anos depois surgiu a “Inspetoria de Obras Contra a Seca” (IOCS) que já começou com carência de funcionários qualificados e falta de verbas. Somente em 1919,durante o mandato do presidente Epitácio Pessoa (nordestino), foi criado o primeiro plano de Integração Governamental no semiárido. Seu plano enfatizou a construção de açudes , perfuração de poços, como também , ampliação das rodovias, ferrovias e portos e ainda a defesa de um projeto grandioso de irrigação, que não ocorreu. A ampliação do sistema de transportes tinha por finalidade facilitar as comunicações, circulação de mercadorias, e o principal, conter o êxodo da população do sertão para o litoral e outros estados.
DÉCADA DE 1930
Com o descaso do governo federal em relação ao nordeste, os revolucionários de 30 encontraram na região um grande apoio e com isso Getúlio foi torna-se presidente. Uma nova estiagem atinge a região, nessa época, estávamos em plena 2ª G.M. Os, EUA pediu a Getúlio que lhe enviasse “borracha” , para equipar os soldados contra a neve . Porém com a saída dos ingleses, nossos seringais estavam abandonados e improdutivos . O plano de Getúlio, era revitaliza-lo e atender o aliado para isso, transferiu para a Amazônia milhares de sertanejos, para enfrentarem a “Batalha da Borracha” na qual os nordestinos enviados, recrutados pelo exército, transformaram-se em “soldados da borracha” e a maioria acabou morrendo no “inferno verde” por epidemias e ataques de cobras e onças . Em 1945, IFOCS – foi transformada em DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), porém continuava sem verbas , mesmo com dispositivos constitucionais que permitiam considerável transferência de recursos. Mas não havia interesse do governo em aplica-las e o dinheiro nunca chegou ao seu destino.
GOVERNO J.K
Em 1959 J.K, ciou a SUDENE – Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste e designou Celso Furtado, como superintende, tudo isso sugeria , que a região finalmente sairia do ostracismo e tivesse um projeto sério de desenvolvimento, diversificação da produção agrícola, industrias, desenvolvimento do turismo etc…
Ao mesmo tempo, durante seu governo J.K, construiu em meio ao cerrado, a nova capital do Brasil, Brasília , utilizando para isso a mão de obra nordestina, numerosa e barata (candangos).
DITADURA MILITAR
O projeto de desenvolvimento da região, arquitetado por J.K, foi abandonado pelos militares e o nordeste voltou a estaca zero. Em 1.970, nova estiagem atingiu impiedosamente o sertão, o governo militar não tinha o que fazer, a não ser, socorrer os flagelados, enviando água, comida
e primeiros socorros na área de saúde . Além disso organizou frentes de trabalho, para a construção da rodovia “Transamazônica, milhares de nordestinos foram transferidos para a floresta nua e crua, desprovida de qualquer infraestrutura ou cidades nas proximidades da construção. Na beira da nova estrada foram construídas as “agrovilas” , residências precárias, longe de tudo e de todos . Cem mil famílias foram instaladas , 8 anos depois, restavam apenas 8.000 famílias, quem não morreu, fugiu do “inferno verde” . Ainda nessa década (70) a migração nordestina teve como foco o Sudeste , principalmente R.J e S.P que cresciam e progrediam rapidamente necessitando de muita mão de obra, principalmente na construção civil. Note que toda vez que o Brasil necessitou de um grande numero de mão de obra para trabalhos de grande envergadura o nordeste sempre o serviu e acabou conhecido como “armazém de mão de obra do Brasil”. E, os nordestinos como construtores do novo Brasil. Até hoje essa mão de obra é explorada , através do ”trabalho análogo a escravidão”, considerado crime. De 1.979 até o final da década de 80, o mundo atravessou uma forte recessão, provocada pelos choques do petróleo, as empresas começaram a demitir e muitas foram a falência e as que restaram, fecharam as portas para os migrantes e o sertão atravessava uma grande seca, e o jeito foi migrar para o Centro Oeste e Amazônia, onde surgia a “Nova Fronteira Agrícola brasileira” dedicada a sojicultura e pecuária. Não seria menos penoso se a região tivesse recebido os investimentos que tem direito, sem descaso. E, com isso o sertanejo, não tivesse que ser ver forçado a abandonar, sua região e
familiares?
PORQUE A REGIÃO DEVERIA SER A MAIS RICA DO PAÍS?
Pense bem! Raciocine comigo! A região foi a primeira a ser desbravada economicamente. A região é a única do país formada com o maior número de estados (9), trata-se da 2ª mais populosa, isso além da mão de obra abundante, proporciona um grande Colégio Eleitoral. Possui a maior representatividade no Congresso Nacional . Pensando por esse lado deveria ser o centro das decisões de cunho nacional. Além do mais, já está na hora, de não mais utilizar a seca como escudo para toda flagelação da região. Existem vários países encravados no deserto, que já resolveram o problema da falta d” água há muito tempo. Vou citar um exemplo : A Líbia (norte da África) tem a maior parte de seu território dentro do Saara e o governo resolveu esse problema criando “rios artificiais” que atravessam todo país, utilizando a água dessalinizada do mar. Verbas para o nordeste é o que não falta além do governo federal, existe as verbas das “emendas parlamentares” cuja finalidade é aplica-las no
desenvolvimento do estado de cada parlamentar ( ou seja em seu curral eleitoral). Porém isso não acontece, como não existe transparência, para que todo cidadão possa saber, onde e no que este dinheiro público foi utilizado, vira uma “farra do boi”, nenhum parlamentar presta conta e o nordeste continua sofrendo o “descaso”. A corrupção e o desvio de verbas realizado pelos seus filhos “ingratos” que se aproveitam das mesmas, em benefício próprio, aumenta o descaso e lesa os sertanejos. Isso não é justo, é vergonhoso.
Por professor MARCOS A MORAES









