As festas de final de ano

As festas de final de ano têm origens ancestrais, combinando tradições pagãs e religiosas de diversas culturas. As celebrações modernas do Natal e do Ano Novo evoluíram ao longo de milhares de anos, com diferentes povos e civilizações marcando a passagem do tempo e a mudança das estações.

Origem das Festas de Final de Ano

As festividades de final de ano que conhecemos hoje resultam de uma fusão de costumes, principalmente de três eixos históricos:

  1. Celebrações Pagãs e Solstício de Inverno
    Muitas das tradições de dezembro estão enraizadas em celebrações pagãs antigas, ligadas ao solstício de inverno no hemisfério norte (por volta de 21 de dezembro).
  • Quando: Essas celebrações datam de milhares de anos atrás, com registros de comemorações de ano novo na Mesopotâmia por volta de 2000 a.C..
  • Por que: Os povos antigos, como os celtas e os romanos, celebravam o solstício de inverno como um período de renovação, marcando o fim da colheita e o retorno da luz após os dias mais curtos e frios.
  • Exemplos:
    o Saturnália: Festa romana em honra ao deus Saturno, que acontecia em meados de dezembro e envolvia banquetes, troca de presentes e decorações, muitas das quais foram incorporadas ao Natal.
    o Yule (Iuli): Celebração germânica e nórdica do solstício de inverno, que incluía mesas fartas e decorações com árvores e velas, tradições que deram origem à árvore de Natal.
  1. Adoção e Oficialização Cristã (Natal)
    A Igreja Católica adotou muitas dessas práticas para facilitar a conversão dos povos pagãos ao cristianismo.
  • Quando: O primeiro registro da comemoração do Natal em 25 de dezembro data de 336 d.C., em Roma. A data foi oficializada pelo Papa Leão I em 449 d.C..
  • Por que: A data de 25 de dezembro foi escolhida para coincidir com a festividade romana do “nascimento do deus sol” (o Sol Invictus), ressignificando a data para celebrar o nascimento de Jesus Cristo, a figura central do cristianismo.
  1. A Definição do Ano Novo (Réveillon)
    A definição de 1º de janeiro como o início do ano no calendário ocidental também tem raízes antigas e foi uma decisão política.
  • Quando: Em 46 a.C., o líder romano Júlio César decretou que o ano começaria em 1º de janeiro. No século XVI, o Papa Gregório XIII reestabeleceu essa data com a introdução do calendário gregoriano, o sistema utilizado hoje na maioria dos países.
  • Por que: Janeiro foi dedicado a Jano (Janus), o deus romano dos começos, portões e transições, que tinha duas faces, simbolizando a visão do passado e do futuro, o que se alinha perfeitamente com a ideia da virada do ano. A palavra “Réveillon” vem do francês e significa “despertar”, simbolizando o despertar para um novo ciclo.
    As festas de final de ano, portanto, surgiram da necessidade humana de marcar ciclos, renovar esperanças e promover a união e a confraternização. Elas combinam a reflexão religiosa com a celebração universal da passagem do tempo e do recomeço. O costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário não é nada novo. Existe há mais de 4 mil anos. Mas, naquela época, em vez de um “ano” novo, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano.
    O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra de plantação.
    Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de março, data do início da primavera no hemisfério Norte.
    Foi somente com a introdução de um novo calendário no Ocidente, em 1582 — o calendário gregoriano, adotado pelo papa Gregório 13 no lugar do calendário juliano — que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de janeiro.
    Assim como acontece nas comemorações de Ano Novo atualmente, as celebrações de passagem também representavam esperança. Se hoje alguns rituais têm por objetivo atrair prosperidade e dinheiro — como usar a cor amarela na festa de Réveillon ou comer lentilhas — os cultos de 4 mil anos atrás pediam alimento e fartura.
    Já o termo Réveillon, usado em várias partes do mundo para descrever a festa de véspera de Ano Novo, é mais recente: surgiu no século 17, na França, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda.
    O Réveillon não tinha data para acontecer, mas com o declínio da nobreza francesa a palavra foi sendo adaptada para a festa de véspera de Ano Novo — a palavra Réveillon deriva do verbo “acordar” em francês.
    No século 19, essas festas foram adotadas pela nobreza de outros lugares do mundo que eram influenciados pela cultura francesa.
    A nobreza do Brasil foi uma das que adotaram o Réveillon, mas o sincretismo religioso característico do passado histórico do país fez com que as comemorações aqui adicionassem novos personagens, costumes e comidas às festas de Ano Novo.
    Ano-Novo ou Réveillon
    Ano-Novo ou Réveillon é uma celebração que é realizada entre o dia 31 de dezembro e o dia 1º de janeiro. Essa festa comemora a mudança de ano e
    é marcada por diversas tradições.
    Ano-Novo ou Réveillon é a comemoração da passagem de ano do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Réveillon veio do francês e significa “despertar” ou “acordar”, em referência à nova etapa de vida que se inicia. O 1º de janeiro consolidou-se como Ano-Novo somente no século XVI, com o surgimento do calendário gregoriano.
    Essa festividade é vista em diversas culturas como um momento de renovação, de busca por melhores energias e oportunidades e para renovação e para demarcação de novos planos. Diversas tradições se consolidaram no Brasil e em outras nações durante essa festividade.
    A celebração do Ano-Novo é marcada por diversas tradições, tanto no Brasil quanto em outras partes do planeta. Uma das tradições mais populares não só no Brasil, mas em vários países é a celebração do Ano-Novo com fogos de artifício. Nesse sentido, muitas cidades, como o Rio de Janeiro, Sydney e Nova York fazem a celebração com um grande foguetório. É comum que muitas pessoas optem por consumir alimentos que são tidos como alimentos que trarão sorte, como as lentilhas e a romã, por exemplo.
    Algumas pessoas optam por usar roupas de determinada cor, principalmente o branco, acreditando que isso trará sorte para o ano que se inicia. Pessoas que estão querendo mais dinheiro usam amarelo e pessoas que estão atrás de um amor usam vermelho.
    Ano-Novo no Brasil
    Atualmente, o mais comum durante a comemoração do Ano-Novo é o show de fogos de artifício, além das inúmeras tradições que variam de um país para outro. No Brasil, por exemplo, existem várias tradições herdadas das religiões de matriz africana e afro-brasileira, tais como o candomblé e, principalmente, a umbanda.
    O culto a Iemanjá com oferendas ao mar é praticado até mesmo por pessoas que não fazem parte dessas religiões, tendo uma grande receptividade com o público católico. Outro hábito herdado dessas religiões é o ato de vestir-se de branco, uma superstição pela promoção da paz e, na origem, um hábito para reverenciar as cores do orixá Oxalá.
    Para muitos, o Réveillon é um momento de renovação, de planejar ou de colocar em prática planos antigos. Assim, são várias as simpatias e as superstições para que tudo ocorra bem, como comer lentilhas, pular sete ondas (o número sete também se relaciona a religiões e crenças), comer sete sementes de romãs, entre outros inúmeros hábitos.
    É claro que isso tudo é simbólico, sendo, portanto, práticas de manifestação cultural que revelam as relações de identidade das pessoas com a sociedade e o espaço. A adoção de práticas originárias de religiões de matriz africana demonstra bem o sincretismo religioso na sociedade brasileira, uma vez que tais práticas se disseminaram pelo país e são realizadas por pessoas de diferentes religiões.
    Aqui no Brasil é muito comum que as pessoas chamem o Ano-Novo pelo termo francês, Réveillon. Esse termo, originalmente, era utilizado para referir-se a festas que viravam a noite, mas passou a referir-se às festas de Ano-Novo da nobreza francesa durante o século XVII.
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    O termo tem um significado relacionado com “acordar”, “despertar”, sendo, portanto, o acordar ou despertar de um ano novo. Essa tradição francesa ganhou outros lugares do mundo a partir do século XIX e chegou a locais como o Brasil. O termo popularizou-se no país por meio das festas das elites daqui.
    Acesse também: Carnaval — a principal festividade do Brasil
    Ano-Novo em outras culturas
    Comemorar o Ano-Novo no dia 1º de janeiro é uma tradição, principalmente, ocidental e cristã. Embora o mundo, oficialmente, siga o calendário gregoriano, muitos povos diferentes possuem celebrações de Ano-Novo acontecendo em outras datas que não o 1º de janeiro. Vejamos alguns exemplos.
    → Ano-Novo chinês
    O Ano-Novo chinês ocorre quando se realiza a passagem de ano no calendário tradicional chinês. Esse calendário chinês é lunar, possuindo cerca de 354 dias de duração e a passagem de ano na cultura chinesa ocorre entre janeiro e fevereiro do calendário gregoriano. É uma data de grande importância para a cultura chinesa, sendo uma celebração que pode se estender por até 15 dias.
    → Ano-Novo judaico
    Conhecido como Rosh Hashaná, o Ano-Novo judaico celebra a passagem de ano no calendário judaico, um calendário lunar e distinto do que o calendário que utilizamos (o gregoriano). Essa celebração é algo mais privado na cultura judaica, sendo celebrada em reuniões familiares. É comum a realização de orações, que o shofar seja tocado e que algumas comidas típicas, como frutas mergulhadas no mel sejam consumidas. A passagem de ano no calendário judaico ocorre entre setembro e outubro em nosso calendário.
    → Ano-Novo muçulmano
    O Ano-Novo no calendário muçulmano é chamado de Hijri, sendo que um ano nesse calendário tem 354 ou 355 dias de duração. O calendário islâmico teve início em um marco importante: a Hégira, quando o profeta saiu de Meca para Medina. É um momento marcado por orações e por refeições para celebrar a passagem.
    Curiosidades sobre o Ano-Novo
  • O Enkutatash é o nome da celebração do Ano-Novo no calendário etíope, acontecendo em setembro.
  • No Japão, os templos budistas tocam os sinos 108 vezes durante o Ano-Novo.
  • O Ano-Novo dos ortodoxos é celebrado em 14 de janeiro.
    Fontes
    CHIU, Lisa. The History of Chinese New Year. Disponível em:
    https://www.thoughtco.com/history-of-chinese-new-year-687496.
    MODELLI, Laís. Como surgiram os rituais de Ano Novo mais populares do Brasil? Disponível em:
    https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42375112.
    NGUYEN, Tuan C. The History of Popular New Year’s Traditions. Disponível em:
    https://www.thoughtco.com/history-of-popular-new-year-traditions-4154957.
    REDAÇÃO. Por que Ano Novo é celebrado em 1º de janeiro? Disponível em:
    https://www.bbc.com/portuguese/articles/c802427xd52o.
    SU, Qiu Gui. The Fundamentals of Chinese New Year. Disponível em:
    https://www.thoughtco.com/chinese-new-year-p2-2278435.

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