Aglaé Fontes é homenageada na UFS por atuação relevante no teatro sergipano

A professora e pesquisadora Aglaé Fontes foi homenageada pela criação do espetáculo Brefaias e por sua trajetória no teatro sergipano, na noite dessa quarta-feira, 4, na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento marca meio século da estreia do espetáculo de grande relevância para o teatro sergipano, que estava em exibição até a quinta-feira (5), no Auditório da Reitoria, no campus de São Cristóvão.

Ambientada em uma feira popular, Brefaias gira em torno do encontro entre um grupo folclórico do Guerreiro — manifestação tradicional do ciclo natalino do Reisado — e Chico, um vendedor de cordéis que deixa o interior em direção à capital em busca de melhores condições de vida. O cruzamento desses universos revela, de forma poética e crítica, o cotidiano do povo, suas lutas, afetos e estratégias de resistência, compondo um retrato sensível do Brasil profundo.

(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

O espetáculo foi encenado pela primeira vez em 1976 pelo Grupo Expressionista da UFS. A obra enfrentou cortes da censura durante o período da Ditadura Militar, o que reforça seu valor como documento artístico, político e histórico. Quase cinco décadas depois, a nova montagem revisita esse legado, atualizando sua força simbólica e reafirmando o papel do teatro como espaço de criação, reflexão e liberdade.

Emocionada, Aglaé Fontes falou sobre a velocidade do tempo e a sensação de reviver o espetáculo. “O teatro, antes de ir para o palco, é literatura. Quando vai pra cena, vira verdade. Pra mim foi uma emoção muito grande. Chegar aqui, ver as fotos, ver o público chegando. Mas nem eu mesma lembrava que já eram 50 anos”.

Elenco de 2026 presenteia o elenco de 1976 (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Elenco de 2026 presenteia o elenco de 1976 (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

A reinterpretação tem no elenco estudantes do curso de Teatro que puderam se apresentar para 12 artistas do elenco original de 1976. Toda a ficha técnica do espetáculo é composta por discentes da turma, que assumem funções de direção, produção, visualidades, sonoplastia, figurino e comunicação, ampliando a experiência formativa e revelando novos talentos para a cena artística do estado.

O novo experimento integra a disciplina de Montagem Teatral,do curso de Teatro da UFS, e está sendo coordenado por Maicyra Leão e Marcelo Brazil, professores da instituição.

“Os alunos da disciplina queriam fazer teatro Sergipano, então escolhemos o Brefaias. Durante as pesquisas, entendemos a dimensão histórica que a gente carregava, demarcando não só um momento que foi importante para a universidade, mas as voltas que esse teatro universitário carrega. A ideia da remontagem foi entrelaçar esses momentos históricos e fazer jus a esses 50 anos aqui dentro da universidade”, disse Maicyra.

Maicyra Leão e Aglaé Fontes (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Maicyra Leão e Aglaé Fontes (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

A professora aposentada e ex-vice-reitora da UFS, Iara Campelo, fez parte da primeira turma do Teatro Expressionista, enquanto ainda era estudante do curso de Pedagogia. “É uma emoção voltar à UFS e ver essa homenagem a uma pessoa que merecia tanto, porque o início do teatro em Aracaju e Sergipe é Aglaé e Alencar”, celebrou.

Gracinha Barreto foi aluna de Aglaé Fontes aos cinco anos de idade e também fez parte da primeira turma do Teatro Expressionista. No decorrer desses 50 anos, trabalharam outras vezes juntas. Ela falou sobre a emoção de ver o Brefaias reinterpretado por jovens artistas. “Confesso que tomei um susto quando recebi o convite para a homenagem. Passa um filme na cabeça, sabe? Torço por essa nova turma porque mantém o espetáculo vivo, o teatro vivo, a vida artística viva”.

Iara Campelo e Gracinha Barreto (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Iara Campelo e Gracinha Barreto (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

Carlos Dias também foi um dos artistas participantes das primeiras exibições do Brefaias, interpretando um vendedor e guerreiro de Reisado. Ele deixou uma mensagem para artistas em formação. “Coragem! Não desistam dos objetivos, não desistam do propósito e continuem firmes no empreendimento, porque logra-se êxito quando a gente se dedica com exclusividade”.

Carlos Dias (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Carlos Dias (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

O reitor da UFS, professor André Maurício Conceição, também participou do evento e falou sobre a importância da memória e da beleza do teatro:

“O que a gente viu aqui hoje foi uma das coisas mais belas que já vi nessa universidade. Esta é uma noite histórica, que junta um grupo maravilhoso e nos faz relembrar o processo da Ditadura, para nos fortalecer”, disse.

(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Elenco 2026 (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Elenco 2026 (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
 (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

Ascom UFS

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