A área de Engenharia Mecânica vem se firmando na atualidade como uma das profissões com maior demanda e valorização no mercado de trabalho brasileiro. A retomada das atividades e investimentos em determinados setores da economia, especialmente a indústria automotiva, a construção civil e o de petróleo, gás e energia, têm aumentado a demanda de empresas e companhias por engenheiros, especialmente na área de mecânica e mecatrônica. Não há dados específicos de quantos profissionais atuam hoje especificamente na área mecânica, mas uma estimativa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o Brasil precisaria formar mais de 75 mil engenheiros (de todas as áreas) para atender à atual demanda.
Por outro lado, o Brasil forma cerca de 14 mil novos engenheiros mecânicos anualmente, fazendo do setor o grupo das quatro engenharias com maior número de concluintes no país, segundo dados do Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC). A procura se justifica também pelos altos salários oferecidos a profissionais já qualificados, entre R$ 4,5 mil (júnior/iniciante) e R$ 17 mil (sênior/gestor). Isso tem motivado uma procura cada vez maior pelos cursos superiores de Engenharia Mecânica, que começam a registrar uma grande presença de mulheres.
Este cenário pôde ser percebido em um evento recente realizado na Universidade Tiradentes (Unit), que reuniu professores, estudantes, ex-alunos do curso e profissionais que atuam no mercado de trabalho, na sede do Tiradentes Innovation Center, em Aracaju. na noite da última quarta-feira, 3, eles fizeram uma mesa-redonda sobre experiências, conhecimentos e vivências relacionadas à atuação profissional na Engenharia Mecânica, além de permitir que os estudantes conheçam tendências, desafios, oportunidades e diferentes áreas de atuação da profissão, ampliando suas visões sobre a carreira futura.
De acordo com a professora Cláudia Arcieri Miranda, coordenadora da área de Engenharias da Unit, o momento reflete uma grande procura dos alunos e do mercado pela área. “As engenharias, como um todo, estão em uma curva ascendente de procura. Acredito que seja justamente por causa do mercado petrolífero bem crescente no nosso estado, em especial, que demanda muita mão de obra da engenharia mecânica”, disse ela.
Uma das convidadas foi a engenheira Raquel da Silva Sousa, 27 anos, que trabalha atualmente na Inbev e é responsável pela função de manutenção de confiabilidade na planta industrial da Cervejaria Águas Claras, em Estância (SE). Nascida em Camocim (CE), ela veio para Aracaju após ser aprovada no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) como bolsista integral do Programa Universidade para Todos (ProUni). Ela conta que sempre teve um interesse especial pela área de mecânica e de máquinas, o que a motivou a se preparar para fazer uma faculdade na área. E que, quando já estudava na Unit, se identificou ainda mais pela profissão ao fazer uma visita técnica à Inbev.
“Com essa visita, eu me apaixonei pela empresa, olhando todas aquelas máquinas. Então, eu fui verificar como é que participava do processo seletivo, me candidatei através dessa visita e aí foi quando eu tive a oportunidade. Entrei como operadora, estava depois na parte de estágio e, quando eu me formei, fui promovida como analista técnico de manutenção”, lembra Raquel, que concluiu o curso há cerca de um ano.
Para ela, voltar à Unit como profissional e dividir sua experiência com os outros alunos foi uma das melhores experiências da sua vida. “Tudo o que eu vivi aqui, tanto na sala de aula quanto nas visitas técnicas, palestras e eventos, foi um somatório para fazer com que eu pudesse me desenvolver mais, porque o mercado de trabalho é além da universidade. Mesmo trabalhando durante o dia, eu tive oportunidade de me envolver com a universidade e ter essa experiência lá fora. Quando eu entrei na universidade, eu também tinha muitas incertezas. Então, poder chegar aqui hoje e mostrar que realmente é possível você se formar e entrar no mundo do trabalho é muito gratificante”, afirmou a engenheira.
Interesses despertados
A história de Raquel e dos outros egressos despertou a atenção principalmente dos calouros, que estão ingressando no curso. Foi o caso de Matheus Felipe Marcelo Pereira, que chegou a fazer alguns períodos de Matemática em outra universidade e migrou para Engenharia Mecânica por gostar de frequentar oficinas mecânicas de carros e motos. “É uma experiência gratificante ver pessoas tão bem encaixadas no mercado. Você vê a pessoa e se projeta na imagem dela. Ela estava fazendo o curso aqui, a gente meio que ‘cria um espelho’ e se imagina no lugar delas futuramente. A insegurança de todo mundo é como vai ser daqui pro tempo que a gente se formar, a mais ou menos cinco anos… e acho que eles [os egressos] vão saber sanar nossas dúvidas corretamente”, afirmou Matheus.
Já a estudante Ana Clara Ferreira dos Santos, do quarto período, entrou para a Unit após passar por um curso técnico de automação industrial, durante o Ensino Médio. “Com a engenharia na universidade, eu me encontrei, porque parece que eu nasci para fazer. Tanto nas matérias quanto nas áreas, que são diversas, eu me identifico com quase todas e está sendo incrível”, diz ela, que já atua em um projeto de iniciação científica junto ao Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). “Ter esse contato com o pessoal que está no mercado desperta a curiosidade, no sentido de saber, de conhecer diversas áreas, porque cada um tem a sua experiência. Teve uma vez que a gente conheceu aqui no Innovation, uma mulher que é formada em Engenharia e trabalha como perita criminal. A gente vê com os egressos que você pode usar a engenharia de diversas formas, em qualquer área, e se espelhar neles”, completa.
O evento na Unit também marcou a comemoração pelo Dia do Engenheiro Mecânico, celebrado em 5 de junho. A data escolhida homenageia o industrial cearense Delmiro da Cruz Gouveia (1863-1917), um dos pioneiros da profissão no Brasil e responsável pela construção da primeira usina hidrelétrica do Nordeste, em Angiquinho (divisa entre Alagoas e Bahia).
Fonte: Asscom Unit









