Universidade cria área verde para atrair abelhas e fortalecer biodiversidade

Um projeto de educação ambiental desenvolvido na Universidade Tiradentes (Unit) chama a atenção para a importância de preservar um inseto que, muito além de produzir mel, tem uma importância decisiva para a preservação do equilíbrio da natureza e para a sobrevivência da vida no planeta, mas está com a sua existência cada vez mais ameaçada: as abelhas. Pesquisadores da instituição criaram, em uma área do Campus Farolândia, um Oásis de Polinização, local com plantas nativas que atrai a formação de colmeias de abelhas e favorece a transferência do pólen entre as flores, estimulando a reprodução de frutos e sementes destas plantas. 

O espaço foi criado a partir das colmeias de abelhas que foram surgindo na área em frente aos prédios do Complexo de Comunicação Social (CCS) e do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). Ele passou a ser cultivado como parte do Programa Conduta Consciente, iniciativa de educação e conscientização ambiental da Unit. De acordo com Cláudia Moura de Melo, professora do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS) e coordenadora do programa, a ideia surgiu a partir da observação das abelhas presentes no interior do campus, dentro de um processo natural de fixação e adaptação ao ambiente. 

“A presença das abelhas demonstra que alguns espaços do campus e a presença de árvores nativas oferecem condições favoráveis à sobrevivência desses polinizadores, como disponibilidade de alimento, abrigo e equilíbrio ambiental. Isso tem contribuído para o equilíbrio ecológico do campus, principalmente por meio da polinização de plantas nativas e ornamentais, o que favorece a reprodução vegetal, a manutenção das áreas verdes e o aumento da cobertura vegetal. Além disso, as abelhas atuam como potenciais bioindicadoras da qualidade ambiental, sinalizando que o campus oferece condições adequadas de sustentabilidade e conservação”, destacou Cláudia.

As abelhas cultivadas no local são da tribo Meliponini, conhecida como “abelha indígena” ou “abelha sem ferrão”. Em geral, elas são consideradas inofensivas e não usam o ferrão para picar, embora tenham outros mecanismos de defesa. Entre as principais espécies da tribo, estão a jataí, a jandaíra e a mandaçaia, consideradas de grande relevância ecológica.

Segundo o pesquisador Felipe Mendes Fontes, do Laboratório de Biologia Tropical (LBT/ITP), que também atua no Conduta Consciente, essas abelhas são polinizadoras eficientes, devido ao comportamento específico de visitar uma grande variedade de flores e transferir o pólen de forma eficaz. Elas também desempenham um papel vital e crucial na polinização de culturas agrícolas e na garantia da produtividade, qualidade dos alimentos e diversidade dos ecossistemas agrícolas.

“Algumas espécies de abelhas sem ferrão estão presentes em áreas urbanas, favorecidas pelas condições antrópicas humanas, como a disponibilidade de recursos alimentares em plantas cultivadas em parques e jardins urbanos e cavidades presentes em construções, que são utilizadas para nidificação. A presença delas contribui para o aumento da cobertura vegetal, devido ao seu papel polinizador, minimizando assim os efeitos do calor. A criação de abelhas sem ferrão pode ser realizada tanto em áreas urbanas e residenciais quanto em áreas rurais, onde pode ser associada a diversas culturas agrícolas. Essas abelhas são de fácil manejo e produzem mel de alta qualidade”, detalha Felipe, ressaltando que a criação de abelhas sem ferrão em locais com mais de 50 colônias precisam de autorização específica dos órgãos ambientais competentes.

No Oásis de Polinização criado no campus, as abelhas se instalaram em tocas e espaços por dentro de uma das árvores. No entanto, uma das principais estratégias de criação prevê a instalação de caixas racionais para a criação e o manejo de diferentes espécies de abelhas nativas sem ferrão. A partir daí, se fornece néctar, pólen e abrigo às abelhas e a outros organismos polinizadores (borboletas, aves e pequenos mamíferos).

Não mate as abelhas!

Um primeiro alerta deixado aos pesquisadores é de que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não se deve matar as abelhas, que são protegidas pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Muitas de suas espécies já estão ameaçadas de extinção, devido a uma combinação crítica de fatores como desmatamento, uso intenso de agrotóxicos, aplicação de “fumacê” e mudanças climáticas.

“Se as abelhas desaparecerem, ficaremos sem alimentos. Isso é um fato! As abelhas são importantes polinizadoras de plantas nativas e cultivadas, contribuindo diretamente para a reprodução vegetal, a manutenção da biodiversidade e a produção de alimentos. Sem a ação desses insetos, muitas espécies vegetais têm sua reprodução comprometida, afetando cadeias alimentares inteiras. Portanto, preservá-las é fundamental para a sustentabilidade dos ecossistemas, da agricultura e da segurança alimentar”, justifica Felipe Fontes, dando a orientação de que, ao invés de eliminá-las em determinado local, o adequado é buscar orientação especializada para a remoção do enxame ou o manejo seguro, que pode ser feito pela Prefeitura da sua cidade ou pelo Corpo de Bombeiros. 

Fonte: Asscom Unit

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