Antes de comentamos os resultados desta conferência. Vamos retroceder um pouco e descrever o principal motivo de sua criação. A COP desde de sua 1ª edição foi criada com o objetivo de diminuir ou até eliminar a quantidade de dióxido de carbono, responsável pela aceleração do efeito estufa, lançado diariamente na atmosfera através da queima de combustíveis fosseis (petróleo, carvão, gás, xisto).. O CO2 produzido além de concentrar calor é um gás que tem um tempo de vida mais longo na atmosfera em relação aos demais gases (demora para se dissolver).
DE ONDE VEM O CO2?
Esse gás está presente em toda matéria orgânica (florestas, todo tipo de animal e vegetal) e também nos oceanos. Podemos chamar esses elementos de “sugadores” de CO2.
PORQUE COMBUSTÍVEL FÓSSIL?
Há Muito tempo atrás, quando o planeta ainda estava em formação, nas eras Paleozoica e Mesozoica (entre 590 e 250 milhões de anos), muitas florestas, plantas e animais em função da separação e conformação das “placas tectônicas” foram soterrados e comprimidos sob forte pressão com todo CO2 que carregavam em sua estrutura. Essa receita ao longo do tempo foi responsável pela fossilização da matéria orgânica dando origem aos combustíveis fosseis. Percebam que o CO2 desses fosseis ficaram aprisionados, e ausentes da atmosfera atual, que até então apresentava uma temperatura média de 15ºC. suportáveis e estáveis.
O QUE ACONTECEU?
Com as primeiras revoluções industriais (séculos XVII e XIX), desenvolvimento do transporte, energia elétrica etc… e mais atualmente com a modernização dos setores produtivos, passamos a queimar mais e mais combustíveis fosseis, para obtenção de energia, aumentando a concentração de carbono na atmosfera. Isso não parou mais e a tendência é continuar em escala cada vez maior, com isso já ultrapassamos o limite suportável promovendo sérios desequilíbrios nas leis naturais, e as consequências tem sido nefastas para natureza e a humanidade. Eu diria que em alguns casos o grau de destruição chega a ultrapassar a calamidade promovida por uma guerra. E por falar em guerra, caso o dinheiro gasto requerido pela mesma, fosse investido na recuperação do planeta, talvez os resultados
das COPs seriam diferentes ou até então quem sabe não precisasse existir.
O QUE ERA PARA SER DISCUTIDO NA COP 30 E NÃO FOI
Quatro temas considerados imprescindíveis:
1- Financiamentos dos países ricos, que poluíram por mais tempo e em maior quantidade, para custear ações climáticas em nações menos desenvolvidas A discussão é de como isso deveria ser feito e qual o retorno (não houve consenso).
2- Busca de metas mais ambiciosas e rápidas para combater o aquecimento global. O presidente do Brasil sugeriu para esse fim o “Mapa do Caminho” com proposta de uma transição energética que prevê o fim dos combustíveis fosseis.
3- Diz respeito as restrições unilaterais ao comércio por questões ambientais, com barreiras tarifarias.
4- Imposição de transparências em relatórios sobre a emissão de gases estufa por todos os países.
OBSERVAÇÃO: Os 4 itens ficaram fora da pauta de negociações. Muitos países questionaram e, para evitar qualquer obstáculo que travasse o andamento das reuniões, o presidente da cúpula articulou um jeito para abordar esses temas de forma paralela, não de maneira prioritária.
O MPA DO CAMINHO
Não houve consenso para aprovação do documento. Mais de 30 países criticaram a proposta, entre os principais merece destaque, o grupo, formado pelos países árabes, que se opuseram a qualquer tipo de acordo que contemple o fim dos combustíveis fosseis. Por outro lado, o grupo liderado pela EU e Colômbia declararam “Que não é possível sair da COP 30, sem uma definição sobre o tema”.
PORQUE A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA FOI CONSIDERADA UMA FANTASIA?
Podemos dizer que o que fracassou em Belém não foi a forma diplomática, mas o conteúdo de uma agenda que exige o fim dos combustíveis fosseis a golpes de “marteladas” e, em ritmo acelerado.
Isso não significa desistir das alterações climáticas. Significa que substituir rapidamente os fosseis por energia eólica ou solar, sem infraestrutura organizada ou capacidade de armazenamento; até agora provou ser uma “ficção cara”. O mundo real puniu essa “fantasia” com “inflação energética” que pode quebrar muitas economias. A Europa é um exemplo: “Metas ambiciosas demais exauriram sociedades incapazes de absorverem elevados custos”. Ora, se a Europa que é rica, não suportou os gastos, imagine o que poderia acontecer em países mais pobres; cuja declaração, nas reuniões foram enfáticas de não colocarem em risco seu crescimento industrial e muito menos levar seu país ao sacrifício. Energia barata é pré-condição de prosperidade, porém não de segurança climática. Nos últimos anos a energia renovável e limpa vem crescendo no mundo, mas apenas tem contribuído para cobrir a defasagem da energia fóssil e quase nada tem feito para diminuir a quantidade dos gases estufa da atmosfera. Isso porque, a cada dia, que se passa o consumo de
energia aumenta exponencialmente, e a resposta para cobrir o déficit tem sido a energia alternativa, muito mais cara. A lógica é de que estamos “chovendo no molhado” e até agora não conseguimos afastar de nós o “fantasma” que mais nos assusta; a aceleração do efeito estufa global.
TRÊS DÉCADAS DE COPs
Segundo analistas em três décadas a insistência de bater na mesma tecla por tanto tempo em um modelo que não entregou resultados, além de multiplicar os custos corroeram a legitimidade política da agenda. Não se trata de negacionismo, é aritmética. Energia cara destrói o consenso nacional.
QUAIS OS RESULTADOS DA COP-30?
A Conferencia realizada em Belém avançou onde há realismo:
- Adaptação, proteção florestal baseada em incentivos métricos para resiliência e financiamento hibrido.
- Confirmação da Cúpula da Conferencia de que a transição energética só será viável se for barata, segura e politicamente vendável.
- Ficou também esclarecido que cortar emissões de gases estufa, não será assunto prioritário, a maioria das nações deram preferencia em fortalecer sua infraestrutura em saúde, saneamento e redes elétricas.
- O documento final chamou a atenção por seu título portentoso “Mutirão Global” unindo a humanidade em uma só mobilização geral contra as mudanças climáticas. O compromisso deixa de ser uma ambição nacional periódica e passa a ser coletivo. ISSO SIGNIFICA O ENTERRO DO ACORDO DE PARIS.
PORQUE O NOME DE COP DA VERDADE?
Depende do ponto de vista:
- Para os ambientalistas o resultado foi um “grande fiasco” por não contemplar a descarbonização.
- Sob o ponto de vista vivido pelo mundo real pode até ser plausível as decisões; porém não contempla os desequilíbrios climáticos que tanto assolam a economia, a política e a humanidade. As previsíveis falhas de infraestrutura na cidade sede da conferencia serviram para mostrar ao mundo as necessidades sociais prementes da população pobre e a infraestrutura deficitária da cidade em todos os setores. Enfim a cúpula da elite poderia até decretar uma mutação histórica nas decisões sobre os efeitos do clima, porém a utopia levou ao fracasso ao afirmarem que antes de tudo é necessário solucionar questões de engenharia, capital, tempo e questões sociais. Se por um lado temos que esperar soluções de questões que envolvem infraestrutura, que dissesse de passagem, problemas que já eram para terem sidos solucionados há muito tempo. Por outro lado, a Natureza não espera e como uma “foice” bem afiada a cada dia demonstra sua fúria por ter sido aviltada pela ganancia, pelo progresso desordenado e pelo descaso com as leis naturais escritas por
“DEUS”.
FINALIZANDO: “O dia em que o homem cortar a última arvore e pescar o último peixe. Só aí vai entender que não se pode comer dinheiro (Autor desconhecido).
MUITO OBRIGADO POR LER
PROFESSOR MARCOS A. MORAES









