O ENCONTRO ENTRE TRUMP E LULA – CASUAL OU PLANEJADO?

O ENCONTRO DOS DOIS PRESIDENTES

Com o anúncio do “Tarifaço” e das sanções impostas ao Brasil, que, diga-se de passagem nos pegou de surpresa e desprevenidos; a única saída encontrada seria a de marcar uma reunião com presidente dos EUA para negociar as medidas. Por mais que o Brasil tenha buscado esse caminho de forma contundente através das mais variadas manobras, nada conseguiu, nem antes e nem depois das penalidades entrarem em vigor. Trump se fechou em “copas” não cedendo um milímetro sequer de boa vontade para receber o Brasil. Pressionado pelos repórteres pela sua falta de bom senso, Trump respondeu: “ se o líder do governo brasileiro quer, um encontro, que ligue para mim”. Lula não ligou, com receio de ser humilhado publicamente como foi Zelenski (presidente da Ucrânia).

Diante disso os laços da velha e longa amizade entre os dois países tornava-se cada vez mais distantes e um precipício abriu-se entre os dois presidentes, com duras críticas vindas de ambos os lados (mais ou menos como a briga entre dois vizinhos que não param de se agredirem verbalmente entre um “muro”).

QUE MOTIVOS LEVARAM A ESSA DESAVENÇA?

Os motivos principais alegados por Trump foram: Em primeiro lugar o julgamento do expresidente Jair Bolsonaro, acusando o Brasil de não respeitar os “Direitos Humanitários. Em segundo lugar foi justificar a determinação do tarifaço, para isso, Trump lançou mão da lei de “Emergência Econômica” não satisfeito ameaçou o Brasil, deixando claro que caso Lula utilizasse de “reciprocidade” a situação iria piorar.

AS CONSEQUÊNCIAS

Não se esqueçam que até então os EUA eram o 2º maior parceiro comercial do Brasil, portanto nossa economia sentiu um duro golpe, com risco de desemprego em massa, baixo crescimento do PIB, empresas que só exportavam para os EUA, pararam sua produção etc… Por outro lado Trump nunca foi ingênuo, e sabe muito bem que essa “briga de lavadeiras” também machucaria os EUA.

OS EUA NECESSITAM DO BRASIL?

Bem! O Brasil é o maior e mais populoso país da América Latina, destaca-se enormemente no setor primário da economia (agropecuária, maior biodiversidade do planeta, grandes reservas minerais, entre elas petróleo e minerais críticos, pesca etc..) além disso nosso parque industrial moderno e movido por alta tecnologia, como por exemplo produção de aviões.

“Não somos qualquer “zé mané” na aldeia global. Portanto, o Brasil apresenta ao mundo várias opções políticas e econômicas e interessa muito a China. Caso os EUA venham a perder essa relação para Xi Jinping, Trump somaria uma derrota irreparável em sua carreira.

A POPULARIDADE DE TRUMP PÓS PENALIDADES.

A popularidade de Trump declinou a nível mundial e dentro de sua própria casa, as pressões exercidas contra suas decisões estão vindo dos dois lados (dentro e fora dos EUA). Dentro dos EUA a população que gosta de “tomar café” e “comer hamburguer” a preços mais baixos, está indignada. Além do povo; lobistas, comerciantes, empresas como a Embraer e outras, passaram a forçar o presidente Trump a abrir as portas dos EUA para negociar com o Brasil.

O ENCONTRO ENTRE LULA E TRUMP NA ONU

Muitos dizem que esse encontro foi “puro acaso” outros dizem que foi planejado antecipadamente para se parecer como casualidade. Como não existe o acaso e a única explicação é de que o encontro foi planejado e estratégico para os EUA. O encontro ocorreu no dia 25 de Setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. O presidente do Brasil foi o primeiro a discursar, em seguida seria a vez de Trump. Enquanto Lula discursava Trump o assistia nos bastidores. Logo após o término do discurso de Lula, Trump deixou a sala onde estava, e tinha diante de si vários caminhos para chegar ao auditório, sem ter que se encontrar com seu desafeto, Lula. Porém, escolheu o mesmo caminho por onde sairia Lula (acaso ou estratégia?).

No meio do caminho os dois líderes que até então não se suportavam acabaram se esbarrando, houve então apertos de mãos, e abraços recíprocos , só faltou o “beijo”. Trump disse : “Ligue para mim para marcarmos um encontro”. Logo após terminar seu discurso, Trump foi cercado por repórteres ávidos por saber o que havia acontecido entre ele e Lula.

Trump declarou: “Houve entre nós uma “química” (atração mutua e espontânea) e teceu vários elogios a Lula, dizendo ainda : “Abri as portas dos EUA para o Brasil”. Sem dúvida era a chance que tanto esperávamos. Pouco importa como o encontro aconteceu. O importante foi que aconteceu, e com isso abriu-se “as portas da esperança”. Logo que chegou ao Brasil, Lula, ligou para Trump e conversaram durante 30 minutos a respeito de assuntos prioritários a serem resolvidos oficialmente em uma reunião. Durante a conversa Lula fez questão de deixar claro que o Brasil não vai se submeter a uma condição de, “ postura neocolonialista” em relação aos dos EUA.

A PRIMEIRA FASE DA REUNIÃO

A reunião foi marcada para o dia 16 de Outubro em Washington. Trump escolheu para representá-lo seu secretário de Estado, Marco Rubio, cubano, linha dura, de extrema direita, fiel escudeiro de Trump e que não nutre nem uma simpatia ideológica com o Brasil atual (essa indicação agradou muito os bolsonaristas). Lula escolheu para representá-lo o “chanceler” Mauro Vieira, homem sensato e ponderado. Pós escolha, os dois representantes, entram imediatamente em contato, marcaram a data da reunião, o local e as pautas que seriam debatidas não foram divulgadas durante a conversa. É bom saber que esta reunião não tem caráter decisório, e sim preliminar para formalizar um documento técnico, decidir os temas, sugerir detalhes, aparar arestas e posteriormente encaminhá-lo para apreciação e resolução em uma 2ª fase, através de uma reunião a ser marcada entre os dois presidentes. Logo após o
telefonema, Vieira levou a informação a Lula, que no momento participava da inauguração de uma gigantesca automobilística chinesa (BYD), em Camaçari (BA).

O DISCURSO DE LULA DURANTE A INAUGURAÇÃO DA BYD

Durante o discurso Lula tocou no problema que envolve EUA e Brasil, dizendo: “ O Brasil não tem preferencias por países, o que queremos é estabelecer uma relação civilizada com o Mundo. E, por isso defendemos o “multilateralismo” e não concordamos quando: O EUA tomou, a decisão de sobretaxar os produtos brasileiros com base em inverdades. Tive uma conversa com Trump, onde “rolou entre nós um, polo químico”, por isso acredito que nossos problemas com os EUA serão resolvidos”.

QUAIS AS CHANCES QUE CONTEMPLAM O BRASIL?

A disputa judicial sobre as tarifas impostas, sob a lei de “emergência econômica” pode até beneficiar o Brasil. Isso caso a Suprema Corte americana confirme as decisões já tomadas em instâncias inferiores, que declaram ilegal as tarifas de Trump, com isso o Brasil já entraria nas negociações em condições favoráveis. Porém, “não é bem assim que toca a viola”. Isso só não seria o suficiente, pois o presidente dos EUA dispõe de outros dispositivos e instrumentos
legais para reerguer a “Muralha do Tarifaço”.

A OCORRÊNCIA DA REUNIÃO

No dia marcado, 16 de Outubro, no período da tarde, os dois líderes acompanhados de seus assessores se reuniram e ao findar a reunião, os dois líderes ao serem entrevistados deram declarações “vazias” de que a reunião foi “ótima” e que o assunto tratado girou em torno do comércio entre os dois países, com o objetivo de diminuir o “tarifaço” sobre os produtos brasileiros. Pelo que parece ocorreu um alivio de tensões que envolvia os dois países e uma boa perspectiva sobre as ambições de Trump que envolvem o Brasil, como:

  • Livrar a América Latina das “garras” da China;
  • Minerais críticos, chamados “Minerais de Terras Raras”, como o lítio o neodímio etc… o qual o Brasil possui a maior reserva mundial e ainda não explora. Por enquanto quem domina esse mercado é a China e os EUA dependem desses minerais para funcionar seus tecno polos.

BOA LEITURA!

PROFESSOR MARCOS ANTONIO MORAES

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