O MEDO DE ENVELHECER
Esse é um temor que assombra a maioria das pessoas.
Segundo a ciência o envelhecimento de nossas células começa por volta dos 30 anos de idade. Momento esse que o nosso organismo começa a perder 1% de sua capacidade funcional, a cada ano que passa, tornando-se vulnerável aos desafios impostos naturalmente pelo meio ambiente e também aos impostos pelo modo de vida escolhido por cada indivíduo.
É nessa fase que perdemos mais tempo diante do espelho buscando na imagem refletida; os primeiros sinais de “envelhecimento”, como por exemplo: os primeiros fios de cabelos branco, os pequenos vincos que começam a surgir no canto dos olhos e na testa. Os mais vaidosos ficam apavorados e buscam freneticamente meios possíveis, para esconder os primeiros sinais de senilidade, que está batendo a porta. Vale até pintar os cabelos brancos, com a cor original.
COM O TEMPO PIORA!
À medida que passa cada ano, acelera também os ataques dos agentes agressores, muitos deles criados pelo próprio organismo, como é o caso dos “radicais livres” (moléculas tóxicas que aceleram o desgaste do nosso corpo físico). Em condições normais, nosso corpo, controla a quantidade de “radicais livres” através da liberação de “enzimas antioxidantes”.
Porém, fatores externos como : exposição à radiação solar (raios ultravioletas), agrotóxicos, tabagismo, alcoolismo, poluição, mudanças climáticas e outras drogas) aceleram com maior velocidade o desgaste do nosso organismo. Ou seja, a soma de tudo isso, que foi exposto só aumenta a quantidade de “radicais livres”, a tal ponto, que não há produção de “enzimas antioxidantes “ em quantidade suficiente para frear os “estragos.”
COMO DEVEREMOS FICAR QUANDO TIVERMOS 60 ANOS?
Veja, se os primeiros sinais da “velhice” começaram aos 30 anos, com 60 anos, passaram-se mais 30 anos. Portanto o organismo naturalmente, já perdeu 30% de sua capacidade funcional e com isso a transformação do nosso corpo físico é inevitável. A transformação é abrupta, mais parece uma metamorfose. Nessa fase, já não dá para contar mais a quantidade de cabelos brancos; passamos a contar quantos fios de cabelos ainda nos restam. A testa não apresenta mais vincos ela mais parece uma verdadeira “sanfona” . Não vou nem comentar o que acontece com os demais órgãos do nosso corpo. Ao olharmos para o “todo” temos a impressão de parecermos “uma lanterna com pilhas desgastadas” com um
facho de luz, fraquinho, fraquinho . Diante disso, respiramos fundo e dizemos a nós mesmos “Ainda não apagamos”.
A INTOLERÂNCIA AOS VELHOS
É nesta fase que a maioria dos mais jovens não nos chamam mais pelo nosso nome de batismo e, sim através de uma enxurrada de apelidos, como: “velho caduco, coroa, careca, barrigudo, inútil, descartável, velho teimoso, idoso, 3ª idade, rabugento etc…” Como se não bastasse os apelidos, a geração mais jovem, quando passamos, dizem frases maldosas e inconvenientes, como : “ Ô….da bengala ! Sai da frente que eu quero passar”, “Lugar de velho é no asilo”. Além disso tudo ser um desconforto, nos sentimos um “lixo” perante a a sociedade. Como você
pode notar, a palavra “velho” é muito estigmatizada de adversidades, preconceitos, descartabilidade.
UM DOS MOMENTOS MAIS DIFÍCIL DE NOSSA TRAJETÓRIA
Foi quando ocorreu a grande “Pandemia”, provocada pelo vírus Covid-19. Logo no início as primeiras vítimas fatais, foram os idosos (organismos mais frágeis ) morriam mais rapidamente . A quantidade de mortes era tão grande que chama atenção de todos, pois não havia lugares para enterrar fileiras de corpos inertes para serem enterrados, por isso, o jeito foi, enterra-los, em covas coletivas, sem a presença de familiares, apenas dos coveiros.
A imprensa mostrava tudo isso e disparava um alerta, que recomendava guardar distância em relação aos velhos, por considerarem, um dos principais transmissores do vírus, um perigo, uma verdadeira “bomba atômica”. Foi nesta fase que recebemos ordens da sociedade para ficarmos trancafiados em nossa casa ou em nossos quartos, e, não recebermos visitas em nenhuma hipótese. Será que dá para você imaginar o que sentimos, pois bem, vou lhes contar: “ A sensação foi de estarmos em uma “cela solitária”, vendo o mundo exterior através das vidraças e da TV. Sem poder manter contato físico, passamos a sentir saudades dos abraços e beijos dos nossos netos, filhos e amigos, que as vezes nos visitavam abanando as mãos do outro lado da vidraça. O coração ficava apertado, lágrimas corriam pelo nosso rosto.
A VELHOFOBIA DURANTE A PANDEMIA
Neste momento a maioria das pessoas, passaram a ter medo dos velhos e evita-los o máximo. Políticos, empresários, e outros diziam abertamente em seus discursos ou declarações à imprensa, que, “Velho tinha mesmo que morrer” . Os idosos presenciavam tudo isso calados e
com grande pesar, muitos , se perguntavam: “ Porque ficamos velhos? E a resposta já existia há muito tempo atrás na ótica da ciência. Segundo palavras do biólogo ucraniano, Theodosius Dobzhansky : “Nada na biologia faz sentido, a não ser a luz da evolução; é nas ideias de Darwin que devemos buscar as razões da decadência do corpo, depois de uma certa idade. Em resumo: “nós envelhecemos porque deixamos de ser interessante à natureza que nos diz respeito a perpetuação da nossa espécie. Porém sabemos que não é bem assim; não se trata de uma regra, existem exceções, pois o velho precisa viver, para alavancar, as novas gerações.
A IDADE CRONOLÓGICA E ESPIRITUAL.
Pouco importa a idade cronológica, o importante é como você se sente; e nunca deixar de ser “você mesmo”, sem se abater com os reveses. Pelo contrário, pense diferente, ou seja: Pense que esse é o melhor momento de sua vida e, em todo “legado”, que você construiu e, está
deixando para os mais jovens. O “espirito” não envelhece, não tem idade e muito menos deixa de existir, o espirito só evolui . Então continue sendo alegre, cordial, e contagie “todos” com seu vírus de felicidade e experiencias acumuladas ao longo de sua história. Observe que a “Terra é uma “Escola Sagrada”, onde nunca deixamos de aprender e ensinar. Fixe seu “EU” nos sentimentos e na intuição alojados em sua mente e tenha como alvo apenas “o lado belo “ que a vida e a natureza nos oferece gratuitamente desde o ar que respiramos até a água que nos dessedenta, pense na família e amigos que amam-lhe e também nas crianças.
O GRUPO MAIS ACESSÍVEL AOS VELHINHOS
Sem dúvida são as crianças. “E por qual motivo?” creio que o espírito, das crianças, ainda não foi contaminado pela maldade e rejeição, presentes nas gerações mais jovens. E, por esse motivo as crianças nos aceitam do jeito que somos. Não é raro o momento em que uma criança ao encontrar um velhinho, o chama carinhosamente de vovozinho, mesmo não sendo seu verdadeiro avô . Isso é muito bom e nos renova.
A FORÇA INTERIOR
Poucos sabem, mas os idosos são dotados de uma “Força Interior” que permite um impulso para frente. “Que força é essa?” vou lhes contar um exemplo para melhor entendimento: Certa vez, fui até um asilo que fica próximo da minha casa e resolvi entrevistar um grupo de velhinhos, para saber como viviam e perguntei ao grupo: “O que mudou em sua velhice, sem levar em conta o corpo físico? Eles me responderam: “ Somos dotados de uma Força Interior diferente , que não aflorava de maneira tão plausível , no tempo em que erámos mais jovens.
Eu, perguntei: “Que força é essa?” logo em seguida veio a resposta “ Trata-se de um impulso incontrolável que se apresenta mais forte e de variadas formas e, se eu lhe contar, você vai rir ou achar que além de velhos somo “loucos”. Por exemplo: “choramos e rimos ao mesmo tempo por qualquer coisa. Existe aqui, entre nós, senhorinhas, que carregam e tratam bonecas como se fossem seus filhos . É isso que sentimos, cuja tradução é : mais amor, mais emotividade, mais sensibilidade, mais experiência, mais espiritualidade, menos materialismo.
Muitas pessoas não entendem nosso modo de viver”. Foi nessa deixa que fiz a última pergunta, de certa forma muito delicada: “ Vocês não sentem saudades dos filhos, netos e outros queridos?” A resposta foi “Muita! Foram eles que nos colocaram aqui, e, no início vinham nos visitar todos os domingos, após a missa, semanalmente. Depois passaram a vir uma vez por mês, em seguida uma vez por ano, na data do nosso aniversário. Agora há muito tempo, não aparecem mais, até entendemos que eles, tem muito “afazeres” e por isso rezamos todos os dias para serem felizes. Nós somos, felizes e queremos compartilhar com todos nossa alegria.
Autoria: Prof. Marcos A. Moraes









